terça-feira, 31 de maio de 2016

A invenção do sexo (solitário)

    (Foto: Getty Images)

Josué Aparecido era inventor. Pelo menos era como se apresentava – mediante a entrega de um vistoso cartão em que sua alcunha e profissão haviam sido impressos em letras góticas.
Mas Aparecido não era um inventor comum. Primeiro pelo fato facilmente constatável de que não havia nenhuma invenção registrada em seu nome no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual; depois, vejam só, porque havia, isso sim, criado um método para, segundo ele mesmo, ter grandes ideias.
Aparecido tinha convicção que as grandes ideias apareceriam em sua mente depois do ato sexual. Segundo estudos solitários do próprio Aparecido, a ejaculação provoca uma reação em nosso sistema nervoso capaz de ativar partes adormecidas do nosso cérebro. Essas “partes” seriam responsáveis pelo impulso criativo necessário para alavancar novos projetos e invenções.
O problema dessa teoria é que, ainda segundo aparecido, os impulsos advindos do orgasmo durariam apenas 3 segundos (no máximo) o que significa dizer que a genialidade passava como um foguete pela cabeça de quem acabou de transar ou se masturbar.
A vida de Aparecido era tentar capturar esse instante e ter um insight depois do amor. Nos primeiros anos de sua experiência, nosso professor Pardal despendia muitos recursos com prostitutas – já que não tinha parceiras fixas, namoradas ou amigas. Aparecido, é preciso dizer, era também um homem de poucos atributos (físicos e emocionais).
Por 3 anos, transava segundas e quintas com prostitutas (que com o passar do tempo foram ficando mais baratas). Com ele, levava sempre um caderninho e uma caneta – que mantinha ao seu lado da cama. Assim que o orgasmo vinha ele se desvencilhava da garota e anotava a primeira coisa que pintava na sua cabeça. Às vezes, escrevia apenas a letra “A”, desenhava triângulos, rabiscava raios e, por vezes escrevia pequenas frases desconexas como “Lua abacaxi mecânico”, “vento de cachaça azul”, “choque de azeite elefante”…
Aparecido acreditava que algo estava se formado em seu caderninho – e que quando mais ejaculasse, mais chegaria próximo da resposta final.
Como o dinheiro acabou, partiu para a masturbação.
Não saia mais de casa. Trancava-se no quarto e entregava-se ao sexo solitário com dedicação espartana.
Continuou preenchendo seu caderno com absurdos.
Mas foi desenvolvendo a imaginação de uma forma completamente inédita. Entretido com a masturbação, criou uma história em que fazia amor com uma mulher linda, que se casava com ela, que tinha filhos, casa na praia e amantes. Como se fosse personagem de uma novela esticada por meses (devido a boa audiência), viu-se preso naquele enredo e de lá nunca mais saiu.
Então, um dia, Aparecido entendeu que havia inventado algo fenomenal: a própria vida. Uma vida nova, totalmente alheia a sua realidade fora daquele exercício masturbatório e solitário (popularmente conhecido como punheta).
Aparecido quis viver naquela punheta.
E assim foi…
Até morrer de inanição na semana passada.
Fica registrada aqui uma breve história desse grande inventor. 
ED NOTÍCIAS BLOG/FONTE;YAHOO 

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