quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

A Aids ainda ronda


Envelhecer traz algumas vantagens. Entre elas, acompanhar os fios de fatos e emoções. De forma
direta: recordar. Foi o que fiz na última terça-feira, primeiro de dezembro - Dia Mundial de Luta contra a Aids. Luta que engloba prevenção, tratamento, solidariedade.
Bateu na memória o início da epidemia no começo da década de 1980. Falava-se de terrível doença que dizimava as defesas do corpo humano vinda pelo vírus HIV, cuja transmissão se dá pelo sangue e líquidos sexuais. Ser uma doença ligada ao sexo explodiu no imaginário das pessoas.
A propagação da Aids agudizou questões de comportamentos, religiões, moralidades, censuras. Mas fundamentalmente foi o medo que se espalhou. A imensa maioria de nós não quer findar. A Aids era então beijo para a morte.
Perdi alguns amigos e muitos conhecidos. Gente jovem. O primeiro que se foi era profissional do teatro. Escrevia peças, atuava, influenciava. Morreu em quarto isolado no paulistano Instituto Emílio Ribas. Depois veio uma cascata de velórios e funerais. Junto com as mortes aumentou o preconceito e a discriminação.
Falava-se em câncer gay, sexo promíscuo, viciados em drogas injetáveis. Até que donas de casa infectadas por maridos despontaram nas estatísticas. Funcionou como alerta geral, indicando que ninguém estava livre de pegar o HIV.
A Aids também inaugurou formas de solidariedade nunca vistas. Em 1991 um grupo de artistas em Nova York criou o laço vermelho como símbolo de comprometimento com as pessoas vivendo com Hiv-Aids. De forma veloz o símbolo colou. Um símbolo massificado é poderoso na expansão de significados.
Grupos e organizações, em todo o mundo, passaram a divulgar que a Aids precisava ser enfrentada com tratamento, informação e solidariedade. A medicina deu sua contribuição com o Coquetel - combinação de remédios que inibem a reprodução do vírus HIV.
Toda essa história passou como filminho na minha memória. Lembrei com carinho da médica Lair Guerra de Macedo - idealizadora do relevante Programa Nacional de Combate à Aids. Ela partiu de uma salinha no Ministério da Saúde com um telefone e uma secretária. Fez acontecer.
Notáveis foram as vitórias. Mas o HIV segue ativo. A Aids ainda mata. A notícia de 2015 é que ela continua crescendo entre os brasileiros de 15 a 24 anos. Portanto siga o bom senso da prevenção. Curta a vida, curta o sexo! Mas, por favor, use camisinha.

Imagem: Régine Ferrandis com empréstimo de “Sonhar” de Isabel de Jesus

ED BLOG/ FONTE; YAHOO

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